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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Revista Povo de Santo & Asè: Novo número nas bancas!

Nas bancas a edição de Janeiro!!!
A Povo de Santo e Asé é uma revista ecuménica, esotérica, com forte incidência nos cultos Afro-Brasileiros, principalmente Candomblé e Umbanda, com distribuição em Portugal Continental, Regiões Autónomas e Brasil (Bahia).
A Revista Povo de Santo e Asé é dirigida a todos os interessados na espiritualidade, sem esquecer os cultos Afro. Sabemos que, para viver a espiritualidade na sua plenitude, é necessário conhecer e conjugar todas as suas as suas vertentes. Chama-se a isto ecumenismo ! Na realidade, só se ama e respeita o que se conhece. Continuamos a apostar na autenticidade e na diversidade de todas as formas espirituais , dando voz a todas as vozes.
Edição Semestral; Tiragem actual de 15.000 exemplares.
Acreditamos ainda que cada ser Humano é nosso irmão e Deus, Pai de Todos!.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Candomblé em Portugal representado pelos Bábálórísás Jomar d’Ògún e Paulo d’Yemonjá, Omo Ilé Asè Opô Ajagunã, na festa das Yabás

Mais uma festa linda do ciclo de festas Ajagunã, com uma homenagem ás nossas Yabás. Festa de uma energia ímpar e harmonia, festa de AYÓ AYÓ. Celebração conduzida pelo nosso Agbá Babàlòrísá Ari d’Ajagunã ( Aristides Mascarenhas Mascarenhas), nosso Pai, nosso mentor e conselheiro. Que as nossas Yabás continuem sempre a abençoar-nos e a proteger-nos.

Asé

IGBÁ YABÁS

(clique na foto para aceder ao álbum)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Candomblé em Portugal representado pelos Bábálórísás Jomar d’Ògún e Paulo d’Yemonjá, Omo Ilé Asè Opô Ajagunã na festa de Esú

Mais uma festa no ciclo de festas da nossa Casa, o Ilé Asé Opô Ajagunan – Salvador da Bahia. Festa dedica a ESÚ esse grande Òrísá, que encerra tantos mistérios, mas que está no caminho de cada um de nós. Foi uma festa maravilhosa e cheia de alegria…


Candomblé em Portugal representado pelos Bábálórísás Jomar d’Ògún e Paulo d’Yemonjá, Omo Ilé Asè Opô Ajagunã na festa do Pilão e inauguração da casa de Òsaalá

No dia 22 de Fevereiro, no Ilé Asé Opo Ajagunã – Salavdor (Bahía), que tem como Agabá Pai Ari- Jassilewa (Aristides Mascarenhas Mascarenhas) concluíram-se as festas de Osalá, de uma forma apoteótica com a Siré e procissão do Pilão de Ajagunã. Teve ainda um outro acontecimento que para nós , que pertencemos a este Ilé Asè de que muito nos orgulhamos, nos trouxe uma enorme alegria: a inauguração da nova e linda casa de Osalá, aonde o Grande Guerreiro Ajagunã impera com a sua proteção e seu amor…!
A festa não poderia terminar diferente…Pai Ajagunã mostrou-se !!!
A alegria, o consolo e a felicidade de nós Omos, quando abençoados por tão nobre Guerreiro, foi imensurável !!!
Nós vimos ! fomos abraçados… fomos abençoados pelo Grande Guerreiro Ajagunã!!! Somos gente feliz, somos de Asè e somos verdadeiramente Do Asè!
Agradecemos esta grande benesse a este grande Homem do santo :
Ao nosso Agabá, Pai Ari de Ajagunã – Jassilewa ( Aristides Mascarenhas).

Assina:
(Pai Jomar)


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Candomblé em Portugal representado pelos Bábálórísás Jomar d’Ògún e Paulo d’Yemonjá, Omo Ilé Asè Opô Ajagunã na Procissão de Odúdúá.

(clique na foto para aceder ao álbum)



Na continuação do ciclo de festas na nossa casa- ILÉ ASÉ OPÔ AJAGUNAN – Salvador da Bahia, sobre a orientação do nosso grande AGBA – Babálòrísá Ari d’Ajagunan (Aristides Mascarenhas Mascarenhas), mais uma festa , cultuando Odúdúá, e pedindo-Lhe que traga toda a alegria, saúde, paz e harmonia nas nossas vidas. Uma homenagem maravilhosa ao nosso grande Baba Odúdúá

…asé, asé, asé…

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Candomblé em Portugal representado pelos Bábálórísás Jomar d'Ògún e Paulo d'Yemonjá, Omo Ilé Asè Opô Ajagunã nas As Águas de Òsaalá; paz, luz,tranquilidade e harmonia.

Que o nosso Baba Òsaalá nos conceda todas as bênçãos e todas as protecções. Em nome de todos nós Omo Ajgunan, queremos agradecer ao nosso AGBÁ o Babálòrísá Ari d’Ajagunan, por tomar conta de nós, por nos indicar o caminho mais correcto, por nos apoiar nas horas mais difíceis, por isso nosso Agbá Ari: muito obrigado pelo carinho e amor em nome de todos nós seus filhos, netos e amigos.

Que Òsaalá lhe continue a trazer todas as bênçãos meu Pai…

(clique na imagem para acede ao álbum completo)


terça-feira, 4 de junho de 2013

Candomblé em Portugal: Inauguração do Novo Ilé Asè Omin Ògún

O novo Ilé Asé Omin Ògún, Terreiro de Candomblé da nação Ketu, situado em Fernão Ferro, foi inaugurado no passado dia 25 de Maio. As festividades, marcadas com um Siré em louvor ao Orisá dono do Ilé, o Grande Baba Ògún, foram conduzidos pelo Agabá do Terreiro – Babálórísá Jomar d’Ògún e pelo Otún Òrísá Bábálórísá Paulo d’Yemonjá. A festa, de grande alegria, fundamento e asè, começou a meio da tarde, tendo-se prolongado noite dentro. Um após o outro, os Orisás desceram ao Ayé, louvando o Dono da Festa e abençoando o espaço sagrado.
Os cultos Afro-Brasileiros em Portugal fizeram-se representar, tanto com casas de Umbanda como de Candomblé, numa festa que se espera tenha contribuído para a união e harmonia entre o Povo de Santo.
Ficam algumas fotos da festa.
Asè


sexta-feira, 8 de março de 2013

Candomblé em Portugal: Positivo ou Negativo



A tradição judaico-cristã tem, como o seu pólo mais negativo e perturbador, uma figura odiada e apontada como símbolo de tudo o que é vil e impuro: o Diabo! O seu nome resulta do termo latim “diabolus”, ou seja, “aquele que separa”. É a representação de tudo o que Deus não é, sendo a sua suposta forma original a de um anjo querubin, que foi expulso dos Céus por nele conter o princípio da corrupção universal. È ele a antítese de Deus, o anti-cristo que, auxiliado pela sua ordem de demónios, é o causador da mutação do certo para o errado e da luz para as trevas. Simboliza a parte mais negativa de todas as coisas e é o alvo a abater na eterna luta entre o bem e o mal.
Pensa-se que a concepção hedionda de Lúcifer só se veio a materializar a partir do fim do Império Romano (476 d. c.), quando a Igreja Católica passou a ocupar o vazio de poder deixado pela queda de Roma; a Europa via-se imersa por invasões dos povos ditos bárbaros, sem conseguir garantir o poder absoluto do qual resultaria a ordem social. Era preciso “demonizar” as crenças pagãs, para que a religião cristã emergisse como nova ferramenta do poder e do controlo sobre os diversos povos que viviam dentro das fronteiras do decaído império Romano, fornecendo uma base de cultura comum para um mundo extremamente diverso e conflituoso. Para manter seu domínio sobre estas populações, durante a "Idade das Trevas" a igreja resolveu personificar "a encarnação do mal". Passou então a representar no Diabo toda a maldade, os vícios, os pecados e os sofrimentos do mundo; e também a figura de um "Demónio malévolo", comandante de uma legião de outras criaturas das trevas em luta eterna contra Deus, os santos e os anjos, para "corromper a humanidade", carregando-a para a perdição do pecado, afastando-a da "verdadeira Igreja de Cristo". Digamos que a possibilidade de pecar, deixou de ser atribuída ao ser humano e ao seu livre arbítrio, e foi transferida para a influência deste Ser que, quando lhe fosse concedida a oportunidade de semear o “pecado”, não a desdenharia.

No entanto, na grande maioria das outras religiões, o conceito é diferente uma vez que esta necessidade de criar um “inimigo religioso” não foi, historicamente, considerado premente.
Talvez por isso, é difícil encontrarmos uma entidade que por si só seja exclusivamente má e impura. Deuses ou Santos como Seth, Loki, Exu, Shiva, só para citar alguns, embora complexos, conflituosos, trapaceiros, e detentores de um forte cariz sexual, são entidades capazes de feitos benévolos e essenciais para o equilíbrio Universal, embora sejam muitas vezes, por ignorância, sincretisados como os Diabos das suas religiões.

Dando alguns exemplos vemos que:

- Seth, Deus egípcio guardião dos mortos, é também visto como símbolo do supremo sacrifício pela justiça, Deus das tempestades, que permitem a constante mutação e sobrevivência do deserto e da inteligência.

- Exú, Orixá Yoruba é visto como o dono da comunicação espiritual, do poder regenerativo e da sexualidade que perpetua a espécie humana. Segundo o Candomblé, sem Exú não há comunicação com todos os restantes Orixás!

- Os primeiros contos referentes à Loki descrevem-no como bom e companheiro de Odin. Aos poucos foi-se transformando num ser malévolo e diabólico. A ideia de mal e diabo não existia dentro da concepção nórdica. Este aspecto foi surgindo após o contacto com as civilizações mediterrânicas. Muitas das suas proezas causaram grandes danos ou ferimentos, mas geralmente Loki era suficientemente rápido para restaurar a ordem e evitar o desastre completo, mostrando assim a sua faceta mais positiva.

- Shiva, o Deus Hindu da destruição, participou activamente na formação do Homem e é responsável pela transformação e renovação. Sem ele o mundo parava e nada avançava.

Estas entidades, embora perfeitamente capazes de praticar o que hoje é considerado o “mal” não tinham, na sua origem, conotação maléfica. Eram uma parte intrínseca pertencente á dinâmica do todo que é o mundo.
É certo que todos eles possuíam “incompatibilidades históricas” com os Deuses ou Divindades considerados mais virtuosos e bons (Loki com Odin, Esú com Oxala, Seth com Osíris e Shiva com Vixnu), mas é importante também salientar que estes, quando analisados á luz da actual concepção do bem e do mal, não poderão ser considerados completamente bons, tendo também cometido actos que não se enquadram nos estereotipo do benévolo Deus Criador da tradição judaico-cristã.
Podemos então aferir que, sendo verdade que em todas as religiões existam pólos ditos “positivos” e “negativos”, apenas na religião de tradição judaico-cristã estes valores se apresentam como absolutos e, mais importante ainda, em nenhuma das outras correntes religiosas, as entidades mais controversas, se assim podermos chama-las, influenciam a capacidade de julgamento do certo e errado inerente ao ser humano. Provavelmente, representarão o conceito, mas não são completamente nefastas na sua essência, fazendo parte do constante equilíbrio universal.
Segundo pudemos perceber ao longo deste texto, o mundo é dual e contém princípio e fim. Esta afirmação jamais deverá ser esquecida. Tudo que for construído um dia deverá ser destruído; por isso o bem e o mal são partes intrínsecas do nosso ser. Somente a possibilidade de reconstrução leva ao crescimento verdadeiro. A busca do equilíbrio, é aceitar as duas como sendo nossas, utilizá-las da melhor forma possível para o crescimento pessoal e consequentemente colectivo.
Qual das religiões tem a concepção verdadeira do exposto, ou se alguma o terá, não é palpável… dependerá sempre da fé, crença e orientação religiosa de cada um, respeitando assim o livre arbítrio que em todas, o Criador Supremo nos concedeu.  

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Candomblé em Portugal: A Origem do Nome Candomblé




Originalmente, em África, Candomblé como religião, não existia.. O que existia lá era o chamado de culto à Orisá, ou seja, cada região africana cultuava um Orisá e só iniciava Elegun ou pessoa daquele Orisá; portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar os seus Deuses ou Santos no Brasil, porque também era comum chamar de Candomblé a todas as festas ou reuniões de negros . Por este motivo, antigos Babalorisás e Iyalorisás evitavam chamar o "culto dos Orisás" de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo à palavra Candomblé foi aceite e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
A palavra Candomblé possui dois significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de Candonbé, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, derivaria de Candonbidé, que significa acto de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa.

NAÇÕES: Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana: Candomblé da Nação Ketu, Candomblé da Nação Jeje, Candomblé da Nação Angola. A palavra Nação aparece, não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos, mas sim um conjunto de práticas.. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e formado pelos povos Mahin. Os grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokuta, Ijesá, Ebá e Benin vieram a constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu. Ketu era uma cidade igual às demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu. Estes yorubás, quando guerrearam com os povos Jejes e perderam a batalha, tornaram-se escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil. Quando os yorubás chegaram a esta região sofrida e maltratada, foram chamados pelos Fons de Ànagô, que quer dizer na língua Fon piolhentos, sujos entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou Nàgó e passou a ser aceite pelos povos Yorubas no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada Nàgó. No Brasil, a palavra Nàgó passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região norte, mais conhecido como Sangô do Nordeste. Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes Yorubas. Porém, existem variações de Nações, por exemplo, e Candomblé Ijesá. Ilesá é uma cidade da região próxima a Osobô e ao rio Osun. Ijesá não é uma nação política. Ijesá é o nome dado às pessoas que nascem ou vivem na região de Ilesá, que caracteriza a Nação Ijesá no Brasil e é a posição que consagra Osun como a rainha dessa nação. Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu. Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo. A partir de Maria Néném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras. Nesse estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de Candomblé, como por exemplo, Nàgó-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e Jeje, e o Alaketu que não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na mesma região de Ketu, cuja sua história no Brasil soma-se a mais de trezentos e cinquenta anos ao tempo dos ancestrais da casa. A verdade é que o culto Nigeriano de Orisá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres e para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os Orisás. Mesmo os que se tornavam Babalorisás tinham uma conduta diferente quanto à roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí, dizer-se que se inserirem no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de Ogans. Hoje a palavra Candomblé no Brasil define o que chamamos Culto Afro-Brasileiro.  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Candomblé em Portugal: Previsões e Orixá regente para 2013 no novo número da revista Povo de Santo & Asè


Novo número da revista Povo de Santo & Asé já nas Bancas!!!


Encontre neste número as previsões e Orisá regente para o ano de 2013, num artigo escrito pelo Bábálórísá Jomar, tendo com base a leitura do seu Merindelogun (Jogo de Búzios)


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Candomblé em Portugal: Kuras




As Kuras são cortes ritualísticos feitas no corpo de um iniciado de um culto Afro-brasileiro (Yaô), e que irão desempenhar um papel de primordial importância na sua vida religiosa futura.

Estas escarificações identificam, por um lado, cada tribo ou Nação no que ao culto diz respeito, e são também o símbolo de cada Ilê Asé (Terreiro de Candomblé). Mas o seu objectivo principal é o de bloquear as energias negativas a que o Filho/a de Santo irá estar sujeito na sua vida quotidiana, funcionando assim como uma espécie de escudo protector.

È também através destas escarificações, que a energia sagrada do Orisá encontrará as portas de entrada para o corpo do seu filho\a.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Candomblé em Portugal: O Culto aos Ancestrais




Através do culto aos ancestrais, os Egun ou Egungum é possível reconstruir origens, etnias, memórias. Essas memórias, enraizadas na multiplicidade da herança negro-africana.permitem revelar estruturas, valores, normas, denominadores comuns onde a questão da ancestralidade mítica e histórica, marca a existência de uma forte comunidade. É na memória e no culto aos antepassados que essa comunidade se afirma (Mestre Didi). Porque o objectivo principal do cultos dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancestrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).
No símbolo “Egungun” está expresso todo o mistério da transformação de um ser deste mundo num ser-do-além, de sua convocação e de sua presença no Aiyê (o mundo dos vivos). Esse
mistério (Awô) constitui o aspecto mais importante do culto.

Vida e Morte para os Yorubás

Os yorubá, como os demais grupos africanos, crêem na existência activa dos antepassados. A morte não representa simplesmente um fim da vida humana, mas a vida terrestre prolonga-se em direcção à vida além-túmulo, exactamente nalgum dos nove espaços do Òrun, o domínio dos seres desprovidos do Èmì. Assim, a morte não representa uma extinção, mas mudança de uma vida para outra. Os antepassados ou ancestrais são denominados Òkú Òrun e Àgbagbà, ou ainda pelo título de Ésà, usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpàdé, dos candomblés do Brasil.
Um antepassado é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo, e com quem o ser vivo conserva relações afectuosas. Somente alcançarão a condição de ancestral com merecimento de culto aqueles que atingiram uma idade avançada, com uma vida de boa qualidade e trabalho expressivo para a sociedade, além de terem
deixado bons filhos. Para os yorubá, um casamento sem filhos é algo mal sucedido.
Na verdade, o seu sistema de valores tem por base três coisas: Owó (Dinheiro), Omo (Filhos) e Àíkú (Vida longa). A Vida Longa é considerada a mais importante porque proporciona a oportunidade que pode tornar possível as duas outras. São esses e todas as linhagens de gerações passadas que, depois da morte se transformam, para os seus familiares. Embora os ancestrais compreendam membros masculinos e femininos das gerações anteriores, os ancestrais masculinos são os mais importantes. Ao seguirem para o Òrun, os ancestrais são libertos de todas as restrições impostas pela terra, e dessa forma, adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar os seus familiares que ainda estão na terra. Por essa razão, é necessário mante-los num estado de paz e contentamento. Quando dizemos que existe um culto ao ancestral, queremos dizer que o que existe de facto é uma manifestação de relacionamento familiar indestrutível entre o familiar que partiu e seus descendentes que ficaram.
De acordo com o Órun ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como Bàbá mi(Meu pai), ou Ìyá mi(Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos. Trazendo ao exemplo: “Eu vou falar com o espírito de meu pai”, mas sim, “Eu vou falar com o meu pai”, numa prova de que continuam a ter o título de relacionamento que tinham enquanto chefes de família.
O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida actual. Todas as religiões encaram estes factos: Nascimento, Vida e Morte( Ìbí, Ìyé, Àti Ikú), o Pós- Vida (IyèLébìn Kú), o Julgamento Divino (Ìdájó ti Olórun) e o possível retorno em outra vida, sucessivamente (Àtúnwa).
Ikú - Morte é visto como um agente criado por Olodumaré para remover as pessoas cujo tempo na Terra tenha terminado.
A morte é denominada Ikú, e trata -se de um personagem masculino. A sua lógica é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada. Por isso , quando uma pessoa jovem morre, o facto é considerado uma tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião de alegria.
Sobre isto, costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni - “A morte não mata, são os
excessos que matam” “Todas as coisas que fazemos na terra, damos conta, de joelhos no céu”
Somente quando se é absolvido por Olodumaré é que se tem a oportunidade de se reunir com os ancestrais, podendo-se reencarnar e renascer dentro da mesma família.
Se alguém porém é condenado vai para o Òrun Àpáàdi, onde irá sofrer com os maus. Quando finalmente for libertado, não terá oportunidade de viver uma vida normal e será condenado a errar, por lugares solitários, comendo alimentos intragáveis.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Candomblé em Portugal: O Asè e as suas cores – O asè preto




Concluímos neste post dedicado ao asè e as suas cores. Após termos visto os constituintes do asè branco e constituintes do asè vermelho, analisaremos nesta edição a cor de asè que nos resta: o preto.
Preto, é do carvão, do ferro e portanto da terra. É a matéria em forma receptiva, simboliza o principio feminino, útero da natureza, onde a vida morre, fermenta e nasce novamente.
Todas as cores escuras estão associadas ao preto, inclusive o verde e o azul.
As cinzas dos animais sacrificados e calcinados compões o Asè no elemento preto.

3. AXÉ PRETO
3.1. Axé preto animal
• Cinzas de animais
3.2. Axé preto vegetal
• Sumo de certas plantas
• Pós de cascas e madeiras pretas
• Sementes pretas
• Seivas e resinas pretas
• Carvão vegetal
3.3. Axé preto mineral
· Metais pretos (ferro, estanho etc.)
· Carvão mineral
· Pós minerais pretos

Receber asè significa adquirir os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo que existe, ou seja, a energia contida neles. Em suma, a manipulação de asè possibilita o reequilíbrio das energias positiva e negativa. Como todos sabemos, todas as coisas são compostas de energia positiva e negativa. O acumulo de energia negativa provocará no indivíduo vários sintomas e doenças, os quais serão sanados com a aquisição de asè ou, podemos chama-lo assim, energia positiva.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Candomblé em Portugal: O Asè e as suas cores - O asè vermelho


Dando seguimento post anterior sobre o Asè e as suas cores, e após termos visto os
constituintes do asè branco, analisaremos este mês os constituintes do asè vermelho.
O asè vermelho deriva-se em todos os matizes do vermelho, o coral, o laranja, o amarelo (em todas as suas matizes) e o marrom. Assim sendo, todo material cuja cor lembre o vermelho, será considerado do asè vermelho.
Para os Africanos, é considerado a suprema presença da cor, pois assinala a potencialidade do que existe e do que está para existir. O Cobre, o latão e o ouro, são agrupados dentro dessa cor devido à sua tonalidade abrasiva.
Alem das cores, os elementos naturais tais como: pedras, árvores e obras de arte, sobretudo esculturas, dão a simbologia dos elementos que compõem o asè.
A criação de um terreiro implica o assentamento do asè. Tarefa longa, por etapas, tais como:
• Preparação de pedras sagradas
• Plantação de árvores sagradas
• Assentamento dos asès
Assim, e sendo toda a cor de asè subdividida em animal, vegetal e mineral, temos:
22. AXÉ VERMELHO
2.1. Axé vermelho animal
• Sangue
• Corrimento menstrual
2.2. Axé vermelho vegetal
• Epo Pupa (Seiva divina para os Africanos)
• Pó vermelho vegetal
• Mel (considerado o “sangue” das flores)
• Seivas e resinas vermelhas
2.2. Axé vermelho mineral
• Metais vermelhos e amarelos (cobre, ouro, bronze,
latão etc.)
• Todos os minerais vermelhos, em pedra ou em pó
(argila etc.)
No próximo post, analisaremos o asè de cor preta.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Candomblé em Portugal: O Asè e as suas cores


O Asè e as suas Cores



A quantidade de asè varia de acordo com o elemento que lhe serve de veículo. Cada elemento é portador de uma “carga”, de uma quantidade de energia, de um poder que permite determinadas manipulações. O asè é contido em elementos dos três reinos: Animal, Vegetal e Mineral; a cada um está subjacente a sua cor! Está contido nas substâncias essenciais da cada um dos seres, animados ou não, que compõem o mundo. Esses “portadores” de asè podem ser agrupados em três categorias: “sangue” branco , “sangue” vermelho e “sangue” preto. O termo “sangue” é proveniente do facto de considerarmos o sangue como o principal portador de asè, dada a sua importância para a vida, humana ou vegetal. Todas as substâncias essenciais são consideradas “sangue”. Cada um desses “sangues” tem representações em cada reino da Natureza. A partir de agora, vamos nos referir ao “sangue” como Asé.
Antes de entrarmos na descrição desses “asès”, vejamos como é o sistema de cores dentro do culto dos Orisás :

Originalmente os Yorubá, que nos legaram a Religião dos Orisàs ( Orixás), possuíam um sistema de cores baseado em somente três cores básicas: BRANCO, VERMELHO e PRETO. O BRANCO, por ser uma cor única, é somente branco; O VERMELHO, deriva-se em todos os matizes do vermelho, o coral, o laranja, o amarelo (em todos os seus matizes) e o marrom. Então, todo material cuja cor lembre o vermelho, será considerado do Asè vermelho. O PRETO, além da cor negra em si, compõe-se de todos os matizes de cinza, de azul e de verde. Além das suas cores características, o Asé subdivide-se, ainda, em outros três grupos:

• ANIMAL
• VEGETAL
• MINERAL

Vejamos agora o Asé, com todos os seus componentes.

ASÈ BRANCO

ASÈ branco animal
O asè branco animal compreende:
• O hálito
• Os ossos (inteiros ou reduzidos a pó), dentes, marfim
• O plasma branco de certos moluscos (igbin)
• O leite e outras secreções brancas animais (sémen, saliva etc.)
• Pérolas e outras concreções que se formam no organismo de
certos animais
• Corais brancos

ASÈ branco vegetal
O asè (axé) branco vegetal compreende:
• Pós brancos de origem vegetal (serragens, moagem de
sementes, amido de arroz, amido de milho etc.
• Sumo branco de folhas, frutos e sementes
• Seivas e resinas brancas (borracha, látex etc.)
• “Leite” de certas plantas
• Grãos brancos de todas as espécies (arroz, feijão, milho etc.)
• Tubérculos e frutos brancos (nabo)
• Álcool e outras bebidas brancas
• A “manteiga” vegetal

ASÈ branco mineral
• Todos os metais brancos (prata, platina, chumbo, alumínio etc.)
• Todos os minerais brancos, em pedra ou em pó (calcário,
talco, gesso, mármore, argilas brancas etc.)
• Sais minerais
A abordagem ás outras cores de Asè continuarão em posts futuros.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Candomblé em Portugal: Culto a Egungun


Egungun

Segundo a tradição do culto de Egun, este é originário da África, região de Oyò. O culto de Egun, é exclusivo aos homens, sendo Alápini o cargo mais elevado na hierarquia do culto, tendo como seus auxiliares os Ojés.
O culto aos Egun é uma importante instituição religiosa, que tem por finalidade preservar e assegurar a continuidade do processo civilizacional Africano.
O Culto a Egun ou Egungun veio da África, junto com o culto aos Orisás, trazidos pelos escravos.
Era um culto muito fechado, secreto mesmo, mais do que o culto aos Orisás, devido ao facto de se cultuarem os mortos.
O Egun é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele “nasce” através de ritos que a sua comunidade elabora e pelas mãos dos ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado Ixan, que, acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se torne vida”, e o Egungun ancestral individualizado está
de novo “vivo”.
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orisás, em que o transe acontece durante as cerimónias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente coberta por uma roupa de tiras
multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente — característica de Egun, chamada de séégí ou sé.
Em Portugal, que se tenha conhecimento, não existem terreiros de culto Egungun, sendo que existirá um ou provavelmente dois terreiros que sendo Lesse Orisá, tem fundamento de Egun.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Candomblé em Portugal: Asé!




Para o povo yorubá, para o povo de candomblé e em regra geral para o povo de santo, a palavra ASÈ, tornou-se conhecida e sobretudo desejada nas suas vidas, por ser a “boa energia”!
Dentro do candomblé, por exemplo na Nação Ketu, Asè (Axé), é compreendida como energia vital, verdadeira presença de Deus (Olorum), nas forças e formas da natureza, assim como no
interior dos seres humanos.
Também é o poder de fazer “as coisas acontecerem”, comando espiritual, poder de invocar, oração, agradecimento, luz própria de Deus, tornada acessível à humanidade. De acordo com os princípios em que acreditamos, o momento da criação, gerou uma única força conhecida, como ASÈ !
O verbo mais importante para o candomblé, é: realizar!
Todo o homem vem ao AIYÉ, à terra, para deixar a sua marca e a sua lembrança.
É assim que ele será recordado pela sua descendência, através das suas realizações. Isto só é possível realizar com o apoio dos Orisás,- mensageiros de Deus- cuja força flúi para nós; é neste momento que ocorre a realização pretendida.
Realizamos o ASÈ, com a ajuda, a força e o poder da nossa crença em Deus (Olorum), nos Orisás (orixás) e nos nossos antepassados (ancestrais).
Apesar de banalizada por muitos, a palavra ASÈ, continua a ser sempre tão infinita quanto a palavra ámen, assim seja, aleluia ,maranata e em tantas outras línguas!
Que o ASÈ continue a ser a bênção de Deus (Olorum), o acto de abençoar pleno de graça do nosso pai/mãe de santo.
Que a nossa vida, seja e viva de : ASÈ !!!  

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Candomblé em Portugal: Bábálórísá Jomar d'Ògún eleito Vice - Presidente Nacional da FENACAB Brasil


A eleição para a Direcção Executiva (Directoria) da FENACAB - Associação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros - Bahia / Brasil, realizou-se no passado mês de Janeiro de 2012.

Fazem parte deste órgão eleito:

Presidente:
 - Aristides de Oliveira Mascarenhas - Pai Ari d'Ajagunã - Ilé Asè Opô Ajagunã - Brasil.
Vice - Presidente:
- José Manuel Gouveia Pinto - Pai Jomar d'Ògún - Ilé Asé Omin Ògún - Portugal.

Para os restantes órgãos, foram  eleitos:

Assembleia Geral:
 - Genaldo Lemos do Couto - Presidente.
- Walter Ribeiro Costa Júnior:  Vice- Presidente.

- Jacira Santos de Jesus - Secretária.
Conselho Fiscal:
- Cosme José de Matos Júnior - Presidente
- José Ribamar Nonato da Silva - Vice - Presidente

Anexam-se os autos reconhecidos legalmente pelo Registo Civil das Pessoas Júridicas - Salvador - Bahia - Brasil:






sexta-feira, 6 de julho de 2012

Candomblé em Portugal: Novo número da revista Povo de Santo & Asé já disponível nas bancas e Online




Já nas bancas a Povo de Santo e Asé nº25!!!!
Compre Já!
Somos uma Revista ecuménica, esóterica, com forte incidencia nos cultos Afro-Brasileiros, principalmente Candomblé e Umbanda, com distribuição em Portugal Continental, Regiões Autónomas e Brasil (Bahia).
… A Revista Povo de Santo e Asé é dirigida a todos os interessados na espiritualidade, sem esquecer os cultos Afro. Sabemos que, para viver a espiritualidade na sua plenitude, é necessário conhecer e conjugar todas as suas as suas vertentes. Chama-se a isto ecumenismo ! Na realidade, só se ama e respeita o que se conhece. Continuamos a apostar na autenticidade e na deversidade de todas as formas espirituais , dando voz a todas as vozes.
Edição Semestral Tiragem actual de 15.000 exemplares.
Acreditamos ainda que cada ser Humano é nosso irmão e Deus, Pai de Todos!.
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Assinatura:
Assinatura de um ano, ou seja, duas edições: 7€ + portes de envio
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Candomblé em Portugal: Itans, o Orísás e a percepção Humana.






Na revista Povo de Santo e Asé, da qual sou o responsável máximo, temos sempre o cuidado sempre que publicamos um itan ou lenda relativa a um ou mais Orísás, de publicar conjuntamente o seguinte esclarecimento:
“As lendas, mais que contarem factos, têm sobretudo a particularidade de nos transmitirem o conhecimento de uma determinada energia. É também nas lendas, que percebemos o porquê de algumas formas de estar e de ser dos filhos de um determinado Orísá; da sua forma de se relacionar com os outros, com as coisas, situações e com o mundo”
E porquê?
A explicação politicamente correcta seria que, a revista em questão, devido à sua vertente ecuménica, é lida por pessoas de todos os quadrantes espirituais, de todas as religiões e credos. Assim sendo, por principio, pessoas que não pertençam ao “Povo do Santo”, ou que apenas agora estejam a começar a sua caminhada na gloriosa estrada dos Cultos Afro-Brasileiros, estariam alertadas para não confundirem mito e realidade.
Os itans não são mais do que alegorias explicativas, que traduzem em palavras simples de serem entendidas, as diversas energias de cada um dos Orísás, e que nunca por nunca deverão ser levados “à letra”. Ou seja, não traduzem comportamentos e sentimentos reais. Exemplificando: um itan que explique um certo antagonismo energético entre, por exemplo Ògún e Nanã ou entre Osùn e Obá, jamais traduzirá os “sentimentos” desses Orísás um pelo outro; ou muito menos, traduzirá numa explicação aceitável os sentimentos dos filhos destes Orísás uns pelos outros. Dizer “ A tua Mãe fez a minha cortar a orelha, e por isso não gosto de ti” é, no mínimo, não entender nada do que se leu ou ouviu.
Isto porque os Orísás são, à excepção de Olorun, as formas mais elevadas de luz e espiritualidade. Assim sendo, não possuem rancores ou inimizades; possuem sim, energias distintas, que nós humanos, não entende riamos se não existissem itans. E energias essas que se complementam de forma a criar o todo harmonioso que é o mundo espiritual
Essa é a missão da Povo de Santo e Asé. Desmitificar o Culto, dentro do que é possível fazer, e educar os seus leitores.
No entanto, e infelizmente, a “carapuça” da explicação do porquê de tal prólogo, não serve apenas a quem é novato na religião (se bem que novatos todos somos face a uma religião que possui mais de cinco mil anos...). E esta é a explicação que não é politicamente correcta.
Existem, pasme-se, Bábálórísás e Yálórísás e Pais ou Mães de Santo, por motivos que apenas eles próprios poderão explicar, a verbalizar discursos baseados na errónea interpretação dos itans. Em Portugal e no Brasil, frases como: “Eu não me dou bem com fulana... ela é de Nanã e eu de Ògún” ou “ Não quero nada com Omulu! O Meu Pai Xangô até me castigava!” são, infelizmente, frequentes. Por puro analfabetismo religioso de quem as produz.
Pergunto eu: como é que esses zeladores conseguirão promover a união e o amor entre os seus filhos, e dentro do seu barracão, se o exemplo que dão é exactamente o oposto? Como promoveriam os Orísás tal união mundial, se como seres evoluídos espiritualmente, se prendessem a tais amarras?
Isto não existe! Tais atitudes descredibilizam, enfraquecem, minam e votam ao ridículo aquilo a que, alguns de nós, dedicamos a nossa vida: O Candomblé.
Por isso, peço: deixemos todos de tentar encontrar nos itans as justificações que julgamos viáveis para as nossas falhas Humanas. Deixemos de franzir o nariz aos filhos de determinado Orìsá (ou pior ainda, ao próprio Orísá) apenas porque determinado itan, alega uma energia antagónica à do nosso Olori.
Deveríamos, isso sim, utilizar a energia que nos é proporcionada por Ele ou Ela para completar a do outro, que é diferente da nossa e, da mesma forma, aceitar a dele para que nós próprios sejamos mais completos. Por que afinal, somos todos filhos do mesmo Pai: Olorun. Não existe, uma oração do Pai Nosso, seja ela em Português, Yoruba ou qualquer outra língua especifica para os filhos de cada Orísá. Jamais ouviremos dizer “Pai Nosso, excepto dos filhos de Nanã (ou qualquer outro), que estais no céu.....”No céu, ou onde Olorun estiver e nos quiser colocar...